Teresina Gospel » Notícias » Justiça retira Marcha pra Jesus DF do calendário oficial
O Conselho Especial do TJ (Tribunal de Justiça) de Brasília, por decisão unanime, concedeu liminar ao governo distrital suspendendo parte de lei que incluiu a Marcha para Jesus no calendário oficial de eventos oficiais.
A lei – aprovada em 1997 – determina que o governo contribua financeiramente para a realização da marcha que se realiza todos os anos.
Ao julgar uma Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade), o TJ sentenciou que somente o Executivo pode tomar decisão que crie despesas. A lei, no caso, foi aprovada pela Câmara.
Antes de anunciar a sentença, Tribunal ouviu a presidência da Câmara, que argumentou não haver necessidade de uma medida liminar (decisão de urgência) porque na prática a lei não criou despesas. Para o TJ, contudo, a lei é inconstitucional e tomou a decisão para “resguardar o orçamento público”.
Por se tratar de uma medida provisória, o seu mérito ainda terá de ser julgado pelo plenário do Tribunal.
A Marcha de Jesus é realizada por igrejas evangélicas em centenas de cidades. Muitas delas, a exemplo da de Brasília, dependem do dinheiro público. A decisão da Justiça do Distrito Federal poderá servir de base para o julgamento de tribunais de outros Estados.
Confira nota oficial do Tribunal de Justiça do DF
O Conselho Especial do TJDFT concedeu liminar para suspender a eficácia do art. 2º da Lei 1.706/97. A norma inclui a marcha para Jesus no calendário oficial de eventos do GDF e o artigo questionado destina recursos para o evento. A decisão foi unânime e seu efeito vigora até a decisão definitiva do Conselho.
O governador ajuizou Ação Direta de Inconstitucionalidade, por considerar que a norma fere a Lei Orgânica do DF – LODF ao criar nova atribuição para a Administração Pública e ao prever aumento de despesa. Ele alegou ainda que a norma, ao dispor sobre matéria reservada à iniciativa privativa do Chefe do Poder Executivo, violou o princípio da separação dos poderes.
O presidente da Câmara Legislativa, ao prestar informações, disse não estarem presentes os requisitos para que a liminar pleiteada seja concedida. Afirmou que não há urgência no pedido de liminar, visto que a ação foi ajuizada 13 anos após sua promulgação e que o suposto aumento não possui qualquer relevância, pois o que houve foi apenas a inclusão de uma celebração no calendário de comemorações de Brasília.
O relator do processo considerou que para se conceder a liminar são necessários dois requisitos: a plausibilidade do direito alegado e o perigo da demora na prestação judicial.
Em relação ao primeiro, afirmou que a norma sofre do vício de inconstitucionalidade formal. Já que a lei versa sobre atribuição de órgão da Administração Pública e cria despesa para o DF, deveria ter sido fruto de projeto de lei de autoria do governador e não de parlamentar, de acordo com o previsto na LODF. Quanto ao segundo requisito, o relator considerou que, mesmo tendo decorrido mais de uma década da edição da lei, ela impõe ônus financeiro ao DF.
Dessa forma, segundo o relator, caso a norma seja considerada inconstitucional, no julgamento do mérito dessa ação, recursos orçamentários terão sidos usados para concretizar uma norma inconstitucional. Assim, a liminar foi concedida para resguardar o orçamento público, que é patrimônio público e por isso indisponível.
Via: paulopes.com.br
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